Olhe nos meus olhos tristes..




Ser amaldiçoada pela sua família não é algo que te fará prosperar com tanta facilidade na vida. Existe a inveja, o ódio e a raiva impregnados na alma.
Quando criança, ela não pensa em nenhum desses sentimentos por que não os entendia, apenas acreditava que havia sido travessa demais e estava sendo punida por isso. Mas, as atitudes de seus pais e sua irmã não correspondiam nunca, eram surreais para aquela garotinha que sonhava em ser desenhista, criar seus próprios personagens, suas estórias eram felizes onde a família se amava sob todas as circunstâncias e que não existiam ciúmes doentios da irmã e nem o desequilíbrio emocional dos seus pais, eram simples estórias rodeadas do seu cotidiano, nas famílias carinhosas que suas amiguinhas tinham embaçado no que nunca teria em casa e sempre se perguntava. Por qual motivo as coisas eram assim?
Em suas conversas com Deus, ela perguntava:
- Deus, se eu me comportar?
- Se eu comer tudo?
- Se eu ajudar nas tarefas da casa, o Senhor faz com que a raiva dos meus pais e o ódio de minha irmã por mim passe?
Eram tantos “Se..” que aquela garotinha não conseguia definir suas preces, pois, ela sempre dormia antes de terminá-la e todas as noites, ela fazia as mesmas perguntas a Deus, mas ele nunca respondia.
- Por que sou assim e a minha família me detesta?
Ela, não entendia que o problema da ira de sua família não era por causa de suas travessuras, sua casinha de brinquedo esparramada pelo estreito corredor do quintal, nem pelo pó que a lousa de giz soltava, nem pelas bexigas com água e muito menos pelo pique-esconde solitário, era mais profundo, era da alma, do gênio ruim e desequilibrado que cada um trazia e alimentava em si. Ela era apenas um instrumento para ser utilizado por eles, então, recebia a raiva da mãe por ter um marido agressivo e bêbado frustrado com a infância farroupilha e mesquinha que teve; a irmã uma adolescente coberta de ódio, reparava e falava mal de todo mundo sem medir as consequências e sempre com ajuda da mãe.
- Garotinha, por que és tão humilhada?
- Por que tomas tantas corsas?
- Será que a vida está lhe ensinando algo?
Mas, tão pequena ainda não é capaz de aprender.
Os anos foram-se passando e essa garotinha foi crescendo com muitas dúvidas e incertezas, muita tristeza em seu coração, muita dor na alma e as coisas não cessaram, a irmã continuou junto com a mãe azucrinando sua vida, reparando em suas fases da vida, desmerecendo cada conquista, julgando as pessoas com quem se relacionava, fazendo com que se tornasse uma pessoa infeliz, solitária, cabisbaixo e assim, elas pareciam festejar por dentro, quando a viam infeliz sentiam-se satisfeitas.
A mãe acabou se tornou uma coitada ruim que ainda se ergue para reparar e julgar as pessoas;
O pai doente fisicamente com reflexo mental e muito mesquinho;
A irmã castigada de alguma forma pela vida, mas por que ela mesma fez seu destino. Abandonou uma filha, mãe de outra menina obesa que assim como o pai, humilham e menosprezam, por onde passa continua reparando nas pessoas e julgando.
Aos 35 anos de idade a garotinha cresceu solitária (como elas queriam), com fracassos internos refletidos na vida profissional e amorosa, mas hoje, tenta superar os fantasmas do passado buscando auxílio espiritual e vivendo dia após dia.


1 comentários:

Lucimara Calistro disse...

...Desabafo, triste :-(

Elaine Cristina de Paula. Tecnologia do Blogger.

Meu fugaz devaneio..

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